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A nossa história

De um obrigado a uma escola, de uma escola a uma aldeia, de uma aldeia à Associação Capulana

A Capulana nasce de um obrigado.

A Capulana nasce como gesto de agradecimento a um país, a um povo: Moçambique. Os seus sócios fundadores, um casal de portugueses viveu a sua infância e juventude em Lourenço Marques, actual cidade de Maputo.

Por tudo o que lá viveram e por tudo o que desta terra receberam, desde cedo, sentiram uma enorme dívida de gratidão para com aquele país e para com aquele povo.

Nasce, desta forma, o sonho de agradecer a Moçambique, de contribuir para o seu desenvolvimento, através da educação e formação do povo moçambicano. Inicialmente, a concretização deste sonho passava  pela construção de uma escola, no interior de Moçambique, onde esta fosse mais necessária.

Em 2001, amadurecida a ideia, e reunidas as condições, faltava saber onde construir, tendo como única condição que fosse numa zona muito carenciada. É, nesta altura, que o casal fundador conhece o Sr. Padre José Maria, responsável e fundador da Casa do Gaiato de Maputo, cuja obra abrangia uma grande área do Sul de Moçambique.

Foi através do Sr. Padre José Maria que foi identificada uma população carenciada. Uma população que vivia mais a Sul de Boane, já no distrito da Namaacha, que vivia bem perto do Rio Changalane e das serras que fazem fronteira com a Suazilândia, local em tempos destinado a acolher desalojados de guerra e, que, ainda, no ano 2000, recebera populações vítimas das cheias desse ano.

De uma escola ao nascimento de uma aldeia

Foram dados os primeiros passos.

Sendo uma localidade onde não existiam quaisquer infraestruturas, a primeira coisa a fazer foi um furo artesiano com bomba manual para o abastecimento de água. Para grande alegria de todos, a qualidade da água é excelente.

Ainda, no ano 2000, iniciam-se as obras para a construção da escola e também de um centro de saúde.

A Escola foi construída com quatro salas de aulas, uma sala de professores, um gabinete para a Direccção, uma secretaria, uma pequena arrecadação e, ainda, se construíram duas latrinas com fossa séptica, uma para rapazes e outra para raparigas.

O Centro de Saúde foi dividido em três salas: uma para consultório, uma para tratamentos e outra para a realização de acções de formação sobre saúde e alimentação para mães. Como na escola, aqui também se construíram duas latrinas com fossa séptica.

Para além da escola e do centro de saúde, de modo a oferecer condições de vida aos seus trabalhadores, foram construídas quatro casas para professores, duas casas para enfermeiros e latrinas. As infraestruturas básicas necessárias ao apoio que se desejava dar não ficariam completas sem uma cozinha e um refeitório, que foram – então – construídos também. Considerando que a preparação das gerações jovens deve contemplar uma formação abrangente que vise a criação de hábitos de vida saudáveis, – mens sana in corpore sano –,  construíram-se também um campo de futebol e um de basquetebol.

Pouco a pouco, a população que vivia dispersa num raio de 4kms foi-se reunindo, aproximando as suas casas do lugar onde acabara de surgir a Escola e o Centro de Saúde.

Aldeia de Ndivinduane

Em 2003 é inaugurada a Escola e o Centro de Saúde. Naquele terreno, que três anos antes era um local inóspito, reuniam-se já em torno destas nova infra-estruturas cerca de 300 famílias.

Em três anos, como fruto desta iniciativa de apoiar a educação e saúde naquela região, nasce uma aldeia: a Aldeia de Ndivinduane.

Desde o primeiro dia de aulas, de modo a garantir a assiduidade dos alunos, e promover a boa nutrição, e contribuir para um melhor aproveitamento dos alunos, que é dada una refeição diária a todas as crianças da escola, da 1ª à 7ª classe.

Ao longo dos tempos, cerca de 100 crianças, entre os 2 e os 5 anos de idade, acompanhavam os irmãos mais velhos até à escola, e, por baixo de uma árvore, esperavam a manhã toda até chegar a hora da refeição, para poderem também almoçar. Perante esta realidade, estava traçado o próximo objectivo: construir um berçário e creche, que acolhesse e acompanhasse essas crianças e onde fosse possível terem duas refeições diárias, pequeno-almoço e almoço.

Nesta sequência, construiu-se uma creche, um berçário, uma nova cozinha e um refeitório.

A inauguração da creche aconteceu em 16 de Junho de 2006, coincidindo com o Dia Internacional da Criança Africana.

Gradualmente foram-se construindo outras infraestruturas destinadas a melhorar as condições de vida da aldeia, entre as quais dois depósitos de água. Um destina-se à rega da horta que abastece a Creche e Escola e o outro ao fornecimento de água à Creche e Posto de Saúde.

Como algumas crianças demoravam mais de 1 hora a caminhar até à escola, foi construído um albergue, onde estas pudessem viver durante a semana, sendo acompanhadas pelos educadores da creche e recebendo três refeições diárias.

De uma Aldeia a uma Associação

Decorridos 13 anos , para assegurar a continuidade desta obra, a 3 de Outubro de 2013 nasce a Associação Capulana – Associação Humanitária para a Educação e Desenvolvimento.

À semelhança da capulana, tecido tradicional africano, que acompanha os moçambicanos desde que nascem, como berço nas costas das mães, lençol, toalha de rosto, toalha de mesa, roupa, …, e, muitas vezes, como mortalha na despedida.

 

A Capulana da minha Mãe

Tu nunca a viste sem a capulana,
porque a capulana é a parte dela.
A capulana de minha mãe é minha capulana.
Também, quando eu era pequenina,
foi o meu berço de menina
nas costas da minha mãe.
É dom de toda a família
é transporte de mobília.
É enfeite em casa de rico.
A capulana de minha mãe
serve de graça a qualquer
e aceita ser emprestada
a qualquer outra mulher.
Pode servir detapete e ser pisada, ser joguete
sem se queixar de ninguém.
É querida se está doente,
nas festas é um presente,
enxuga a fronte a quem chora,
e é contente a toda a hora.
Faz-se toalha de mesa,
faz-se toalha de rosto,
faz-se toalha de altar.
Limpa a baba do menino,
na morte é a nossa mortalha.
A capulana da minha mãe!
Tudo cabe dentro dela,
e nela tudo se agasalha.
Quem tem coração generoso,
jamais a recusou.
Quem a louvou algum dia?
Quem dela se recordou?
A capulana da minha mão
é como o seu coração,
nasceu para dizer sim e da vida faz oração!
A capulana da minha mãe é para mim uma lição!

autor desconhecido

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